
A Carta que São Judas escreveu faz
parte dos livros canônicos e está na Bíblia. Seu conteúdo é uma severa advertência
contra os falsos mestres e também, um fraterno convite endereçado a todos os corações
de boa vontade para seguirem perseverantes os ensinamentos Divinos, mantendo a
pureza da fé. Foi escrita com a finalidade de combater as heresias que proliferavam
naquela época.
Fazendo uma apreciação da Missiva do Apóstolo, Origines afirmou: “São Judas escreveu uma carta em poucas linhas, mas repleta de
coisas vigorosas. É comparada aos escritos de um Profeta. O estilo é vivo, claro
e cheio de imagens. Os pensamentos admiravelmente coordenados. A época em que a
carta foi escrita, deve ter sido no ano 66 ou 67, e o local, em Alexandria ou
Jerusalém”.
Merece realce os versículos 22 e 23,
nos quais o Apóstolo propõem aos fieis, uma série de iniciativas
objetivando a elaboração de um programa de vida cristã, com o cultivo da fé,
disponibilidade para oração, ajuda fraterna e mútua entre as pessoas,
sobretudo, o exercício de uma imensa confiança na misericórdia de JESUS.

A seguir transcrevemos a missiva para uma minuciosa apreciação:
“Judas, servo de JESUS CRISTO, irmão de Tiago, aos que foram chamados, amados por DEUS PAI e guardados em JESUS CRISTO, a misericórdia, a paz e caridade vos sejam concedidas em abundância.
Amados, enquanto estava todo empenhado em escrever-vos a respeito da nossa salvação comum, tive de faze-lo por uma razão especial, para exortar-vos a combaterdes pela fé uma vez por todas confiada aos santos (santos eram denominados os cristãos que estavam em estado de graça). De fato, infiltraram-se entre vós alguns homens (hereges) já há muito marcados para esta sentença (este pecado), uns ímpios, que convertem a graça do nosso DEUS num pretexto para licenciosidade e negam JESUS CRISTO, nosso único mestre e SENHOR.
Quero trazer-vos à memória, embora já saibais tudo de uma vez por todas, que o SENHOR (o CRIADOR), depois de ter libertado o seu povo da terra do Egito, em seguida destruiu os incrédulos. E, quanto aos anjos (Anjos decaídos, Lúcifer e os outros Anjos Rebeldes) que não conservaram o seu principado, mas abandonaram a sua morada [seduzidos pela beleza das filhas dos homens (Gn 6,1-2)], guardou-os presos em cadeias eternas, sob as trevas, para o juízo do grande Dia. De modo semelhante, Sodoma, Gomorra e as cidades vizinhas, por se terem prostituído (seus habitantes se entregaram aos mais abjetos vícios da carne), procurando unir-se a seres de uma natureza diferente (união com animais, uma carne que não era humana), foram postas como espetáculos, ficando sujeitas ao castigo de um fogo eterno.
Ora, estes (os hereges)
agem do mesmo modo: na sua alucinação conspurcam (sujam,
maculam) a carne, desprezam a Autoridade
(Anjos) e injuriam as Dignidades
Celestes. E, no entanto, o Arcanjo Miguel, quando disputava com o diabo,
discutindo a respeito do corpo de Moisés (somente para
recordar, depois da morte de Moisés o diabo reclamava o seu corpo), não se atreveu (porque soube exercitar
a fraternidade, soube respeitar mesmo sendo ele infiel) a pronunciar uma sentença injuriosa contra
ele (contra o demônio),
mas limitou-se a dizer: O SENHOR te repreenda! (Esta
atitude de São Miguel revela respeito ao caráter angélico de Satan, embora decaído.
São Judas mostra este exemplo para mostrar como os hereges não sabem respeitar nem
o poder e nem a glória devida ao SENHOR, enquanto o Arcanjo soube respeitar no
próprio demônio o caráter angélico).
Mas estes (os hereges)
injuriam o que não conhecem (ignoram porque não tem o
ESPÍRITO SANTO); por outra parte, as coisas
que conhecem fisicamente (de acordo
com sua própria natureza),
como os animais irracionais, só servem para perde-los.

Ai deles (dos hereges), porque trilham o caminho de Caim (que matou o seu próprio irmão Abel); seduzidos por um salário, entregaram-se aos desvarios de Balaão e pereceram na revolta de Core (o Apóstlo está dizendo que por ambição desviaram-se do caminho certo, do direito e da justiça. Core se revoltou contra Moisés e Aarão, queria arrebatar-lhes o poder. Assim os hereges se revoltam contra a Igreja e contra o Sumo Pontífice). São eles que constituem escolhos (obstáculos, manchas) nos vossos ágapes (ceia fraterna que precedia a Eucaristia), regalando-se irreverentemente, apascentando-se a si mesmos: são nuvens sem água, levadas pelo vento, árvores que no fim do outono não dão o seu fruto, duas vezes mortas, arrancadas pela raiz, ondas bravias do mar a espumarem a sua própria imprudência, astros errantes, aos quais está reservada a escuridão das trevas. A respeito deles profetizou Henoc, o sétimo dos patriarcas a contar de Adão, quando disse:
Eis que o SENHOR veio com
as
suas santas milícias exercer juízo sobre todos os homens e argüir todos os ímpios de
todas as obras de impiedade que praticaram e de todas as palavras duras que proferiram
contra ele os pecadores ímpios(esta citação foi feita de memória
pelo Apóstolo).
São uns murmuradores, revoltados contra o destino, que procedem de acordo com as suas concupiscências; a sua boca profere palavras arrogantes, mas estão sempre prontos a bajular, quando o seu interesse está em jogo (A heresia destrói a seiva da graça e a união com CRISTO. O herege é árvore duplamente morta).
Vós, porém, amados, lembrai-vos das palavras de antemão preditas pelos Apóstolos de NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, pois vos diziam: Nos últimos tempos surgirão escarnecedores, que levarão uma vida acorde com as suas próprias concupiscências ímpias. São estes os que causam divisões, uns homens mundanos, que não tem o ESPÍRITO.
Mas
vós, amados, edificando-vos a vós mesmos sobre a vossa santíssima fé e
orando no ESPÍRITO SANTO, guardai-vos no amor de DEUS, pondo a vossa esperança
na misericórdia de NOSSO SENHOR JESUS CRISTO para a vida
eterna. Procurai convencer os hesitantes; a outros procurai salvar, arrancando-os
ao fogo; de outros ainda tende misericórdia, mas com temor, aborrecendo a própria
veste manchada pela carne (alusão simbólica à túnica dos
leprosos que se manchava de sangue e a lei mosaica ordenava que fosse queimada
a fim de não contaminar outras pessoas. Assim também, recomendava o Apóstolo,
devem fugir da heresia e da má doutrina para não serem contaminados pelo
ensinamento errôneo).
Àquele que pode guardar-vos da queda e apresentar-vos perante a sua glória irrepreensíveis e jubilosos, ao único DEUS, nosso Salvador, mediante JESUS CRISTO NOSSO SENHOR, glória, majestade, poder e domínio, antes de todos os séculos, agora e por todos os séculos! Amém.”
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